quinta-feira, 22 de novembro de 2018

7º Ano - A mão de obra escrava 27/11/2018


7º ano

Escrever no caderno e estudar. 

A mão de obra escrava

No Brasil (1500 - 1888), tanto os índios como os negros africanos, foram escravizados;
Enquanto isso, nas colônias espanholas, predominava a escravidão indígena;
Nas colônias inglesas, francesas e holandesas utilizou-se mais a mão de obra africana.
Do escambo à escravidão

No inicio da colonização da América, os europeus realizavam escambo com os indígenas – troca do trabalho indígena por mercadorias de pouco valor (miçangas, espelhos e machados...);
Cada indígena trabalhava até conseguir o que desejava, depois recusava-se a continuar no trabalho;
Os europeus não entendiam essa atitude e consideravam os indígenas como indolentes; passaram, então, a escravizar os nativos.

O trafico negreiro

Portugueses, holandeses e ingleses controlavam o tráfico de escravos da África para a América;
Havia varias maneiras de se conseguir escravos africanos: ataques a aldeias próximas ao litoral; alianças com chefes tribais que trocavam prisioneiros por mercadorias (cavalos, tecidos, objetos de cobre, fumo, aguardente...);
Os africanos vinham em navios para a América; viajavam acorrentados para evitar rebeliões;
As condições de higiene eram péssimas e boa parte morria durante a viagem; por causa disso os navios negreiros passaram a ser chamados de “tumbeiros”;
Na América, os africanos eram vendidos aos proprietários de terras para o trabalho nas lavouras;
Trabalhavam 18 horas por dia, comiam pouco e eram submetidos a duros castigos físicos; a média de vida de um escravo mal passava dos 35 anos;

Mitos sobre a escravidão no Brasil

No século XIX, viajantes europeus escreviam sobre o cotidiano das cidades brasileiras; a visão desses autores contribuiu para a formação de alguns mitos sobre a escravidão;
Diziam que os senhores compravam escravos de etnias (raças) diferentes para evitar que se comunicassem e organizassem rebeliões; isso aconteceu, na realidade, na antiga Roma;
No século XVI não havia como escolher a origem dos escravos; quanto menor a distancia do local de origem maior seria a sobrevivência durante a viagem; daí o grande número de bantos no Rio de Janeiro e de africanos do Sudão e da Guiné na Bahia e norte do Brasil.

Famílias na senzala
Outro mito é a crença de que os escravos africanos não constituíam família; a família era incentivada para garantir a paz entre escravos e senhores, além de enraizar os escravos no local em que habitavam;
Muitos viviam em senzalas coletivas ou na casa dos senhores; escravos casados tinham moradia separada;
Alguns possuíam terra e plantavam alimentos para seu consumo; eram casas baixas, sem janelas e sempre com o fogão aceso (simbolizava a ligação com os lares dos antepassados, na África).

Formas de resistência
Indígenas e africanos resistiram à escravidão durante o tempo em que ela existiu no Brasil;
Os nativos entraram em guerra contra os colonos portugueses; indígenas e negros fugiam do cativeiro para regiões distantes chamadas quilombos (na América espanhola eram chamados de “palenques” ou “cumbes”);

A Revolta dos Malês
Ocorreu em Salvador, Bahia, em 1835;
O termo “malê” era usado para designar escravos e forros (escravos libertos) muçulmanos (negros islamitas); muitos eram negros de ganho, com maior liberdade de circular pela cidade;
Por serem em pequeno número, os malês se uniram a escravos e forros não muçulmanos;
24/1/1835 – inicio da revolta, data de encerramento do ramadã, mês de jejum dos muçulmanos; os malês acreditavam que naquele dia Alá estaria controlando os espíritos do mal e reorganizando o mundo – momento ideal para a rebelião;
O plano era sair de Vitória (hoje bairro da Barra, em Salvador) e tomar a cadeia pública, o palácio do governo e alguns quartéis;
Cerca de 600 negros lutaram contra as forças policiais, mas foram vencidos; muitos morreram nos confrontos ou acabaram presos; cinco dos principais líderes foram condenados à morte.
Essas revoltas fizeram o governo brasileiro tomar medidas firmes para controlar a população escrava, entre elas, a pena de morte para crimes cometidos por escravos contra senhores e feitores; outras regiões do Brasil proibiram a e importação de escravos vindos da Bahia.
                              
Marcas da escravidão

- Os descendentes de africanos escravizados até hoje são discriminados em quase todos os espaços da sociedade brasileira;
- Ultimas décadas – obtiveram algumas conquistas políticas (tratamento diferenciado para compensar a discriminação sofrida durante séculos – as cotas nas universidades, por exemplo);
- Pessoas contrárias as esses benefícios alegam que a escravidão já existia na África muito antes da chegada dos portugueses (prisioneiros de guerra, condenados pela justiça, devedores...) e que não faz sentido, hoje, os afrodescendentes cobrarem essas reparações já que seus antepassados também praticavam a escravidão;
- Entretanto, essas sociedades não foram responsáveis pela desgraça de milhões de pessoas enviadas para a América por varias gerações;
- Escravismo (escravidão como principal forma de trabalho de uma sociedade) – foi o fator responsável pela desestruturação de inúmeras sociedades africanas; foi criado pelos europeus e não pelos africanos.


ATIVIDADES 

Como era feito o tráfico de africanos escravizados para a América? 
Era controlado, principalmente, por mercadores portugueses, ingleses e holandeses. A compra de um escravo na África ocorrida de várias maneiras – ataque a aldeias, alianças com chefes tribais em troca de mercadorias (cavalos, tecidos, objetos de cobre, fumo, aguardente...). os escravos vinham para a América em navios (“tumbeiros”), com capacidade para 400 pessoas. Devido às péssimas condições de higiene e alimentação muitos morriam e eram jogados ao mar. Na América, eram colocados à venda. A maior parte ia trabalhar nas lavouras.
Como os indígenas e africanos resistiram à escravidão? 
Os indígenas lutaram contra a escravização promovendo guerras contra os colonos. Indígenas e africanos também fugiam constantemente do cativeiro. Além das fugas, os escravos se rebelavam com freqüência contra os senhores. Procuravam distanciar-se das regiões colonizadas pelos europeus, formando os quilombos. Na América espanhola, esses esconderijos eram chamados de “palenques” ou “cumes”.
Texto – “O mito da indolência indígena”. Como o texto explica a opção pela escravidão africana? 
O texto explica a opção pela escravidão africana como resultado da influência dos missionários católicos, que tinham o interesse em utilizar o trabalho indígena nas missões jesuíticas e acreditavam que os africanos eram destinados à escravidão. Por isso, a escravidão indígena acabou proibida pelo governo português. Outra explicação dada no texto é o interesse de traficantes de escravos africanos: com a proibição da escravização dos indígenas, os colonos portugueses seriam importantes clientes desses traficantes, proporcionando-lhes grandes lucros. O texto opõe essas duas explicações à visão preconceituosa que caracteriza os indígenas como preguiçosos e incapazes para o trabalho e os africanos como pessoas destinadas aos trabalhos pesados.
Documento: Carta dos ex-escravos do Engenho Santana ao seu antigo senhor (1789Leia o texto e responda o que se pede:

a)Classifiquem as reivindicações dos ex-escravos, organizando-as de acordo com as semelhanças entre elas:
As reivindicações dos escravos podem ser classificadas da seguinte forma:
1. direito de trabalhar para o próprio sustento (“dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós”; “poderemos plantar nosso arroz onde quisermos”; “poderemos cada um tirar jacarandás”);
2. direitos de receber do senhor instrumentos e meios materiais de trabalho (“rede, tarrafa e canoas”; “uma barca grande”);
3. melhores condições de trabalho (“os atuais feitores não os queremos, faça eleição de outros com a nossa aprovação”; “não podemos andar tirando canas por entre os mangues”);
4º direito de não pagar frete”);
5. direito ao lazer (“poderemos brincar, folgar e cantar em todos os tempos”).

b) Explique o que os ex-escravos queriam dizer com “não queremos seguir os maus costumes dos mais engenhos”. 
Os “maus costumes dos mais engenhos” citados no documento são provavelmente uma referência às rebeliões que terminam com a morte dos senhores e a fuga dos escravos. Ao mesmo tempo em que indica a resignação dos escravos com seus status, demonstra a altivez de impor ao senhor as condições necessárias à aceitação desse status.

Trabalho com imagens– observe as imagens e responda:


a)        o que fazem os negros que aparecem nas duas gravuras? 
Os afrodescendentes representados nas duas gravuras são escravos domésticos realizando trabalhos para seus senhores.
b)        O que fazem os negros que aparecem nas duas fotos? 
Trata-se de fotos tiradas em estúdio. A mulher da segunda foto é uma ama de leite. Os homens da primeira foto posam para o fotografo simulando uma pausa para descanso durante o trabalho de transportar sua senhora em uma cadeirinha, prática comum no Brasil por essa época.
c)         Que diferenças podem ser observadas entre a atitude dos negros retratados nas gravuras e a dos negros das fotografias? 
Os escravos das gravuras foram representados no momento em que prestam serviços a seus senhores. Os escravos retratados nas fotos posam de maneira displicente. Na segunda, o olhar amargo e a posição dos braços da ama acusam sua situação de escrava, apesar da expressão amável do “sinhozinho”. Na primeira, o homem à direita, com sua posição descontraída, parece zombar da senhora que também posa a fotografia. Nas gravuras, transparece apenas a visão europeia: por isso, os escravos são representados de forma obediente e passiva. Apesar de realizadas por profissionais brancos, as fotos permitem a participação dos escravos que, com sua pose, transmitem sua atitude diante da escravidão.


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